“O sábio que disse: "a gravidade é um mistério do corpo", definiu a compostura do medalhão. Não confundas essa gravidade com aquela outra que, embora resida no aspecto, é um puro reflexo ou emanação do espírito; essa é do corpo, tão-somente do corpo, um sinal da natureza ou um jeito da vida.”
Esse conto de Machado de Assis é extremamente irônico, e faz uma dura crítica à sociedade de sua época, fim do século XIX. Era uma sociedade burguesa medíocre e arrogante, muito preocupada em parecer superior mesmo sendo mesquinha. Muito parecida com a sociedade que vemos hoje.
As personagens do conto, pai e filho, dão um tom ameno e familiar ao texto, o que o torna mais agradável. Machado escreveu de forma tão suave que quem lê o trecho: “Tu, meu filho, se não me engano, parece dotado da perfeita inópia mental, conveniente ao uso deste nobre ofício.” não percebe que ele insulta o filho, apesar de estar claro.
A sua real mensagem está implícita em cada palavra, em cada vírgula e ponto final. Porém, tal como em “O Príncipe” de Machiavelli, poucos devem tê-lo entendido em sua época.
Para quem leu o citado livro florentino não é difícil entender a intenção do autor brasileiro. Em “Teoria do Medalhão” o pai incumbe o filho de realizar seu sonho de mocidade, ser Medalhão.
O Medalhão seria aquele cara que freqüenta todas as rodas, chama a atenção onde chega, conhece todo mundo e tem boa conversa apesar de não ter nada a dizer. São exemplos atuais a Socialite Narcisa Tamborindeguy e o apresentador Amaury Jr.
Machado de Assis descreve um ser bajulador, de palavras vazias. Não é uma profissão que um pai deseje a um filho. Não são características que se deva orgulhar. E aí está a chave para detectar a crítica.
2 comentários:
muito boa a sua interpretação, e seu blog está lindo! Parabéns!
Sua interpretação está muito interessante e bem elaborada, e o blog muiot bem desenhado.
Parabéns!
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