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sábado, 28 de junho de 2008

O equívoco – Contos Bandidos. (Contos 1, 5 e 6)

João Uchoa usa as experiências vividas durante seus muitos anos no mundo da lei para escrever seus contos. Conta casos de violência com muita realidade e crueza, chegando às vezes a chocar e repugnar. Sua escrita é direta mas por vezes não se entende o que diz por fazer largo uso de jargões e expressões exclusivas aos advogados.

Os contos deste livro abordam um mesmo assunto, os equívocos causados pela justiça.
Os contos analisados têm em comum, além disso, o fato de mostrarem os abusos de poder por parte da justiça; inocentes sendo acusados de crimes brutais sem poderem se defender. Toda uma sorte de torturas físicas e psicológicas sofridas.
Mas apesar de terem tanto em comum pode-se ver claramente que não são iguais. Enquanto no conto 1 o réu aceita a autoria das acusações, sejam elas quais forem, no conto 5 o réu refuta as suas e no 6 são dois réus, um pobre pai que perdeu o filho condenado pois quis se vingar; o outro um assassino com poderes e conhecimentos que sai livre. Os contos mostram formas diferentes de lidar com culpa e inocência, conhecimento e ignorância, estar dentro ou fora da lei.
Nos contos a justiça se preocupa em ouvir os acusados, porém a abordagem é diferente. No primeiro conto o juiz questiona mas o réu não quer nem mesmo tentar se defender, mas demonstra uma consciência de sua inocência. No conto 5 o juiz pergunta qual a versão do réu, apesar deste já ter confessado na delegacia, o réu nega a autoria e alega tortura física por parte dos policiais, no entanto os policiais o desmentem, não ficando claro no fim quem afinal teve o apoio do Juiz. Já no conto 6 um dos réus não teve direito a se defender, enquanto o outro, o que realmente teve culpa, teve todas as atenções ao passar de réu para vítima em uma fração de segundos.
No conto 6 o síndico se sente injustiçado, inconformado com o cumprimento da lei, a seu ver está sendo vítima de uma incoerência coletiva. No conto 1 o réu sabe que seu julgamento não dará em nada e, com ares de Jesus Cristo, aceita ser o cordeiro da imolação. No conto 5 o réu alega inocência mas sente no seu intimo que não escapará dos olhos cegos da justiça. Cegos não às diferenças e sim à verdade.
Pensando bem não se sabe se os equívocos a que se refere Uchoa são os da lei ou os do ser humano que a corrompe.




Essa análise critico-comparativa foi escrita por mim para um trabalho da faculdade.

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