Até bem pouco tempo, quando se discutia a paternidade do “Impressionismo” era consenso um único nome: Paul Cézanne. Porém nas últimas décadas historiadores de arte vêm questionando essa afirmação, e um novo nome tem ganhado força: Camille Pissarro.
Jacob Camille Pissarro nasceu na Ilha de Saint Thomas, então Índias ocidentais Holandesas, no dia 10 de julho de 1830. Filho de Abraham Gabriel Pissarro, comerciante português, e Raquel Manzano-Pomie.
Desde cedo apresentou grande talento para as artes, mas seus pais tinham outros planos para ele. E aos 11 anos foi mandado à Paris para concluir seus estudos. O que seus pais não imaginavam é que lá ele receberia o incentivo de Savary, dono da pensão onde se hospedou.
Em 1847, com 17 anos, volta à Saint Thomas para assumir os negócios da família, uma loja de ferragens no porto de Charlotte-Amalie. No entanto a pintura e os desenhos continuavam a ser seu hobby, tanto que o pintor dinamarquês Fritz Melbye, que havia sido enviado à ilha pelo governo, se admirou com o jovem. E no ano de 1852 convida-o a acompanhá-lo numa expedição à Venezuela. Convite que Pissarro não pode recusar.
Só retorna à Ilha em 1854. A essa altura Abraham já se convenceu que não poderá mudar a vocação do filho e passa a apoiá-lo. Com a ajuda de Melbye, em 1855 já está em Paris tentando começar sua carreira.
Quando na França o jovem antilhano fez vários cursos e, possivelmente, até mesmo a Ècole dês Beaux-Arts. Trabalhou seriamente na pintura acadêmica, mas os seus instintos sempre o levavam em direção à natureza.
Em 1857, quando freqüentava a Académie Suisse, conheceu um jovem de apenas 17 anos que teria grande importância em sua vida e na arte do final do século XIX. Esse jovem era Claude Monet, que teve uma criação semelhante à de Pissarro, e os dois tornam-se amigos.
Na França conheceu e se encantou com a obra de Camille Corot. Esse pintor influenciou de tal forma Camille que em 1859, quando expôs pela primeira vez no Salão um quadro (Paisagem em Montmorency), se disse um “Discípulo de Corot”.
Em 1861 e 1863 submeteu seus quadros ao Salão, mas foram rejeitados. Ele só voltaria a expor em 1865, recebendo elogios da crítica e repetindo o feito em 1866 e 1868.
Camille Pissarro costumava sair ao ar livre para pintar, pois à luz natural conseguia absorver melhor a impressão que a natureza lhe causava. Não era fácil carregar todos os apetrechos de pintura na época, mas esse era o seu costume e também por causa dele conheceu vários pintores que, no futuro, integrariam o grupo dos Impressionistas.
Em 1870 Pissarro sentia que era iminente a invasão alemã e deixou a França, acompanhado de Julie Vellay, com quem teria 8 filhos. Na Inglaterra reencontra Monet e sua amizade se fortalece.
Quando volta à França em 1871 descobre que seu ateliê foi saqueado e destruído. Suas cerca de 1500 obras haviam desaparecido. Porém, em vez de ficar desanimado ele vê isso como uma oportunidade de recomeçar. Apesar dos seus mais de 40 anos. Muda-se com a família para Pontoise e, acompanhado de Cézanne, recomeça sua criação.
Em 1874 Era visto como o membro mais velho de um grupo de artistas insatisfeitos com a rigidez do Salão. Entre eles se encontravam Monet, Cézanne, Guillaumin, Renoir e Sisley. Por conta própria organizam uma exposição, mas não estavam preparados para o que viria. Público e imprensa derramaram uma torrente de desprezo e ridicularização. Seus quadros são considerados ultrajantes, não pela imagem retratada e sim pela técnica utilizada.
O quadro “Impression du soleil Levant”, de Claude Monet, foi zombado e o termo “Impressionismo”, dele derivado, foi usado pejorativamente para designar aquele tipo de pintura. Logo foi adotado pelos próprios artistas.
Nos anos de 1876 e 1877, na galeria de Durand-Ruel, foram feitas outras duas exposições impressionistas, mas só foi permitida a participação daqueles que estivessem dispostos a aceitar o infame nome. Na terceira exposição foram 18 expositores, Sisley, Monet, Degas, Renoir, Berthe Morisot, Cézanne e Pissarro entre outros. Este último se destacando como o líder deles, apesar da individualidade de cada um.
Com essas novas exposições o trabalho de Pissarro ganha algum reconhecimento, porém não a ponto de dar uma segurança financeira à família Pissarro. Apesar de passar por fases de grande dificuldade, e ter consciência disso, suas obras nunca transpareceram os problemas deste pintor. Transmitindo sempre certa alegria e felicidade como se o mundo estivesse em completa harmonia e só houvesse motivos de júbilo em sua vida.
Em 1880, Durand-Ruel enfrentava tempos difíceis, o que afetava negativamente os artistas que ele patrocinava. Ainda assim ele organizou uma série de exposições individuais. A de Pissarro ocorreu em maio de 1883. Os negócios melhoraram e um nicho de mercado se desenvolveu no exterior, principalmente em Londres e nos Estados Unidos.
Em 1884 Pissarro se muda para Eragny-Sur-Epte. Lá é apresentado à Georges Seurat e à técnica que ele desenvolvia, o pontilhismo. Estando convencido de que esta técnica acrescentaria maior luminosidade à sua pintura ele promoveu uma mudança no seu estilo e, unindo-se também a Paul Signac, enveredou pelo neo-impressionismo. Não obteve boas experiências e acabou abandonando seus novos amigos.
A partir de 1885 passa a militar em correntes anarquistas, o que acaba gerando “Turpitudes Sociales” (1889), um álbum de desenhos com críticas à sociedade burguesa.
A década 1890 marca uma nova onda de sorte para Camille Pissarro. Seus antigos patrocinadores, agora aliviados por ele ter abandonado o “neo-impressionismo”, renovam a fidelidade. Duas obras suas são vendidas por somas substanciais. E Theo Van Gogh, irmão de Vincent, organiza-lhe uma exposição individual. Entre 1892 e 1901 Durand-Ruel promove exposições regulares dele.
Em 1895 Camille Pissarro desenvolve uma doença degenerativa nos olhos. Doença essa que o força a trabalhar, nos seus últimos anos, paisagens urbanas vistas através de janelas. Viajou muito durante esses anos (Inglaterra, Bélgica, Holanda e norte da França) em busca de novos temas.
No domingo, 13 de novembro de 1903, morre o “Pai do impressionismo”. Deixando um legado de quadros, águas-fortes e litogravuras. Personagem fascinante. Um grande pintor, homem bondoso e gentil. Homem que influenciou diversos artistas de sua época. Considerado por seus amigos e alunos um “Patriarca”, figura generosa, amável e profundamente fiel às suas amizades.
Sobre ele Cézanne escreveu: “Pissarro foi como um pai para mim: era o homem a quem se pediam conselhos, era como le bon Dieu.”. E em outro momento: “Todos nós descendemos de Pissarro”.
Henri Matisse chamou-lhe “o Moisés da pintura contemporânea, aquele que nos dá a Lei”.
Emile Zola disse: “Pissarro é de uma nudez desoladora; só a verdade o preocupa”.
Goerges Riviére, (sobre a obra de Pissarro): “Onde encontrar maior grandeza e verdade que as expressas nessas paisagens“.
Lionello Venturine: “Pissarro foi um mestre, no sentido estrito do termo. Ele conduziu o Impressionismo ”.
Jacob Camille Pissarro nasceu na Ilha de Saint Thomas, então Índias ocidentais Holandesas, no dia 10 de julho de 1830. Filho de Abraham Gabriel Pissarro, comerciante português, e Raquel Manzano-Pomie.
Desde cedo apresentou grande talento para as artes, mas seus pais tinham outros planos para ele. E aos 11 anos foi mandado à Paris para concluir seus estudos. O que seus pais não imaginavam é que lá ele receberia o incentivo de Savary, dono da pensão onde se hospedou.
Em 1847, com 17 anos, volta à Saint Thomas para assumir os negócios da família, uma loja de ferragens no porto de Charlotte-Amalie. No entanto a pintura e os desenhos continuavam a ser seu hobby, tanto que o pintor dinamarquês Fritz Melbye, que havia sido enviado à ilha pelo governo, se admirou com o jovem. E no ano de 1852 convida-o a acompanhá-lo numa expedição à Venezuela. Convite que Pissarro não pode recusar.
Só retorna à Ilha em 1854. A essa altura Abraham já se convenceu que não poderá mudar a vocação do filho e passa a apoiá-lo. Com a ajuda de Melbye, em 1855 já está em Paris tentando começar sua carreira.
Quando na França o jovem antilhano fez vários cursos e, possivelmente, até mesmo a Ècole dês Beaux-Arts. Trabalhou seriamente na pintura acadêmica, mas os seus instintos sempre o levavam em direção à natureza.
Em 1857, quando freqüentava a Académie Suisse, conheceu um jovem de apenas 17 anos que teria grande importância em sua vida e na arte do final do século XIX. Esse jovem era Claude Monet, que teve uma criação semelhante à de Pissarro, e os dois tornam-se amigos.
Na França conheceu e se encantou com a obra de Camille Corot. Esse pintor influenciou de tal forma Camille que em 1859, quando expôs pela primeira vez no Salão um quadro (Paisagem em Montmorency), se disse um “Discípulo de Corot”.
Em 1861 e 1863 submeteu seus quadros ao Salão, mas foram rejeitados. Ele só voltaria a expor em 1865, recebendo elogios da crítica e repetindo o feito em 1866 e 1868.
Camille Pissarro costumava sair ao ar livre para pintar, pois à luz natural conseguia absorver melhor a impressão que a natureza lhe causava. Não era fácil carregar todos os apetrechos de pintura na época, mas esse era o seu costume e também por causa dele conheceu vários pintores que, no futuro, integrariam o grupo dos Impressionistas.
Em 1870 Pissarro sentia que era iminente a invasão alemã e deixou a França, acompanhado de Julie Vellay, com quem teria 8 filhos. Na Inglaterra reencontra Monet e sua amizade se fortalece.
Quando volta à França em 1871 descobre que seu ateliê foi saqueado e destruído. Suas cerca de 1500 obras haviam desaparecido. Porém, em vez de ficar desanimado ele vê isso como uma oportunidade de recomeçar. Apesar dos seus mais de 40 anos. Muda-se com a família para Pontoise e, acompanhado de Cézanne, recomeça sua criação.
Em 1874 Era visto como o membro mais velho de um grupo de artistas insatisfeitos com a rigidez do Salão. Entre eles se encontravam Monet, Cézanne, Guillaumin, Renoir e Sisley. Por conta própria organizam uma exposição, mas não estavam preparados para o que viria. Público e imprensa derramaram uma torrente de desprezo e ridicularização. Seus quadros são considerados ultrajantes, não pela imagem retratada e sim pela técnica utilizada.
O quadro “Impression du soleil Levant”, de Claude Monet, foi zombado e o termo “Impressionismo”, dele derivado, foi usado pejorativamente para designar aquele tipo de pintura. Logo foi adotado pelos próprios artistas.
Nos anos de 1876 e 1877, na galeria de Durand-Ruel, foram feitas outras duas exposições impressionistas, mas só foi permitida a participação daqueles que estivessem dispostos a aceitar o infame nome. Na terceira exposição foram 18 expositores, Sisley, Monet, Degas, Renoir, Berthe Morisot, Cézanne e Pissarro entre outros. Este último se destacando como o líder deles, apesar da individualidade de cada um.
Com essas novas exposições o trabalho de Pissarro ganha algum reconhecimento, porém não a ponto de dar uma segurança financeira à família Pissarro. Apesar de passar por fases de grande dificuldade, e ter consciência disso, suas obras nunca transpareceram os problemas deste pintor. Transmitindo sempre certa alegria e felicidade como se o mundo estivesse em completa harmonia e só houvesse motivos de júbilo em sua vida.
Em 1880, Durand-Ruel enfrentava tempos difíceis, o que afetava negativamente os artistas que ele patrocinava. Ainda assim ele organizou uma série de exposições individuais. A de Pissarro ocorreu em maio de 1883. Os negócios melhoraram e um nicho de mercado se desenvolveu no exterior, principalmente em Londres e nos Estados Unidos.
Em 1884 Pissarro se muda para Eragny-Sur-Epte. Lá é apresentado à Georges Seurat e à técnica que ele desenvolvia, o pontilhismo. Estando convencido de que esta técnica acrescentaria maior luminosidade à sua pintura ele promoveu uma mudança no seu estilo e, unindo-se também a Paul Signac, enveredou pelo neo-impressionismo. Não obteve boas experiências e acabou abandonando seus novos amigos.
A partir de 1885 passa a militar em correntes anarquistas, o que acaba gerando “Turpitudes Sociales” (1889), um álbum de desenhos com críticas à sociedade burguesa.
A década 1890 marca uma nova onda de sorte para Camille Pissarro. Seus antigos patrocinadores, agora aliviados por ele ter abandonado o “neo-impressionismo”, renovam a fidelidade. Duas obras suas são vendidas por somas substanciais. E Theo Van Gogh, irmão de Vincent, organiza-lhe uma exposição individual. Entre 1892 e 1901 Durand-Ruel promove exposições regulares dele.
Em 1895 Camille Pissarro desenvolve uma doença degenerativa nos olhos. Doença essa que o força a trabalhar, nos seus últimos anos, paisagens urbanas vistas através de janelas. Viajou muito durante esses anos (Inglaterra, Bélgica, Holanda e norte da França) em busca de novos temas.
No domingo, 13 de novembro de 1903, morre o “Pai do impressionismo”. Deixando um legado de quadros, águas-fortes e litogravuras. Personagem fascinante. Um grande pintor, homem bondoso e gentil. Homem que influenciou diversos artistas de sua época. Considerado por seus amigos e alunos um “Patriarca”, figura generosa, amável e profundamente fiel às suas amizades.
Sobre ele Cézanne escreveu: “Pissarro foi como um pai para mim: era o homem a quem se pediam conselhos, era como le bon Dieu.”. E em outro momento: “Todos nós descendemos de Pissarro”.
Henri Matisse chamou-lhe “o Moisés da pintura contemporânea, aquele que nos dá a Lei”.
Emile Zola disse: “Pissarro é de uma nudez desoladora; só a verdade o preocupa”.
Goerges Riviére, (sobre a obra de Pissarro): “Onde encontrar maior grandeza e verdade que as expressas nessas paisagens“.
Lionello Venturine: “Pissarro foi um mestre, no sentido estrito do termo. Ele conduziu o Impressionismo ”.
Mas pertence a Cézanne o epitáfio perfeito para tão grande personalidade:
Jacob Camille Pissarro
“Humilde e Colossal.”
Jacob Camille Pissarro
“Humilde e Colossal.”